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Árbitros, os filhos da mãe |
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Futebolalagoano.com
07/03/2010 - 01:26 |
Robson Lima
Quando o árbitro Francisco Carlos do Nascimento, o “Chicão”, hoje considerado o número um no cenário local, encerrou o jogo entre CRB e ASA, na quarta-feira, um gesto chamou a atenção de quem ficou atento. No meio do campo, ele benzeu-se e, em seguida, levantou as mãos aos céus como se agradecesse pelo fim do inferno astral que tomou conta da arbitragem alagoana nas últimas semanas.
Chicão fez uma arbitragem tranquila, com alguns erros, é verdade, mas nada que comprometesse o resultado. O jogo foi realizado sob muita tensão, rodeado de especulações de que os árbitros alagoanos participariam de um “esquema” para prejudicar time A ou B no Campeonato Alagoano, fruto de declarações constantes de dirigentes de clubes, colocando em xeque a credibilidade dos profissionais. Foram duas semanas que os árbitros estiveram no olho do furação.
Juiz reconhece erros publicamente
A reboque das reclamações, e demonstrando humildade, o árbitro Flávio Feijó reconheceu os erros cometidos na partida entre Coruripe x CRB e pediu desculpa pelos erros que prejudicaram o CRB. “Cometi muitos erros contra uma mesma equipe”, disse o árbitro.
Flávio reconheceu ainda que deveria ter expulsado o jogador que se utilizou um carrinho com força desproporcional.
Em relação à suposta penalidade que teria deixado de de marcar, o profissional usou o argumento que tem trazido à tona a limitação dos árbitros espalhados pelo mundo, e também a maior inimiga dos juízes de futebol: a tecnologia da TV.
Heroínas dos homens de preto
A Gazeta foi à caça e conseguiu ouvir aquelas que podem ser as vilãs do inconsciente coletivo de torcedores ou cartolas, mas são as heroínas por suportar tanta crítica e impropérios contra seus amados pupilos do apito.
Quando interrogada como avalia a fama de ser a genitora de um filho que possui outra “mãe” quando atua nos gramados, dona Amara Maira da Silva, 58 anos, mãe do árbitro Francisco Carlos, o “Chicão”, solta suas garras de mãezona protetora e detona: “O que existe muito é inveja, meu filho! Os coitados não podem errar nada que todo mundo cai de pau. Achei um absurdo o que fizeram com o Flávio, fora o fato de que há também muito exagero na imprensa”, avalia Amara.
Ela revela que não gosta de assistir aos jogos em que o filho trabalha. “Durante esse tempo todo só fui vê-lo duas vezes, mesmo assim em jogos fora de Alagoas”, completa.
Nível de acerto de árbitros é de 90%
O árbitro Francisco Carlos do Nascimento, 32, natural de Ibateguara, Alagoas, exerce a função desde 2004. “Mas sempre apitei em campos de pelada, antes de ser profissional”, revela.
Sobre se a profissão que escolheu tem o apoio da família, ele diz que quando a pessoa sente-se feliz, todos que gostam dessa pessoa também ficam felizes. “Então, esse é o meu caso. Na minha família, todos me dão um grande apoio, em especial minha esposa, Andréa, que me cobra muito”, revela Chicão, pai de Melissa, 5, e Caio Victor, 10.
Em relação às críticas, ele diz que os familiares ficam chateados. “Mas converso com eles e depois entendem que assim é a vida árdua de árbitro de futebol”. Quanto ao próprio Chicão, como se sente ao ser criticado, ele responde: “Já me aborreci antes, mas hoje estou mais maduro e encaro com muita tranquilidade, para que eu possa crescer muito mais com elas (críticas)”.
Profissionais buscam forças na família
Segundo o presidente da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf-AL), Hércules Martins, no cargo há dois anos e quatro meses, as famílias dele e de sua esposa, a também árbitro Ticiana Falcão, ficam solidárias com eles, quando são detonados pelas críticas. “Mas a mãe do Hércules fica uma arara com quem fala do filhinho dela”, revela Ticiana.
Questionada se a família aprova sua opção pela carreira de árbitro de futebol, Ticiana diz que sim. “Entrei na arbitragem por causa do meu pai, pois ele é frustrado por nunca ter sido um árbitro”, conta Ticiana, mas que no momento está afastada da arbitragem por causa de uma inflamação nas plantas dos dois pés e porque também será submetida a uma cirurgia de ovário, na próxima sexta-feira.
“Caso Edilson” quase mela profissão
Mas o maior e mais sensacional caso envolvendo problemas de com árbitros no Brasil foi sem dúvida o chamado “Caso Edilson”.
Em 2005, a revista Veja publicou matéria de capa denunciando um esquema de compra de juízes para a “fabricação” de resultados, com o objetivo de favorecer apostadores de loterias clandestinas, realizadas pela internet.
Estiveram sob suspeita jogos do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores da América, Copa Sul-Americana e Campeonato Paulista de futebol, todos da edição 2005.
Com o episódio, comprovado nos tribunais, o árbitro foi banido da profissão, mas deixou um rastro de destruição e generalização.
Profissão ainda não reconhecida por DRT
Os árbitros de futebol talvez sejam os profissionais mais odiados e muitas vezes nem são reconhecidos como tais. Isso porque a atividade ainda não é regulamentada pelo Ministério do Trabalho e Emprego e, por isso mesmo, não goza de alguns benefícios de outros trabalhadores.
De acordo com o site acessa.com, para garantir direitos como salário fixo mensal, seguro-desemprego, férias e aposentadorias, diversos profissionais do setor têm carreira paralelas à de árbitro. Um bom exemplo é a federação mineira de futebol, onde dos 76 árbitros, 69 possuem outra atividade.
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Fonte: Gazeta de Alagoas |
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